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Como companheiros abusivos podem usar seu ciclo menstrual contra você

Como companheiros abusivos podem usar seu ciclo menstrual contra você

Aviso de conteúdo sensível: este artigo fala sobre companheiros abusivos, abuso financeiro e outros comportamentos controladores. Por favor, leia com cuidado. Caso acredite que você ou uma pessoa querida pode estar em um relacionamento abusivo, use recursos como a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. Essa linha presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. 

Dados do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que em 2017 foram registrados 221.238 casos de lesão corporal dolosa enquadrados na Lei Maria da Penha, representando uma média de 606 casos por dia.

Globalmente, estima-se que 27% das mulheres de 15 a 49 anos tenham passado por algum tipo de violência doméstica pelo menos uma vez na vida desde os 15 anos.

Os números reais provavelmente são muito maiores, já que muitas pessoas sofrem em silêncio, incapazes de escapar com segurança de um relacionamento abusivo. A violência doméstica pode afetar qualquer pessoa de qualquer gênero, mas as mulheres são, estatisticamente, as que correm maior risco.

Os abusadores usam muitas táticas para isolar e prejudicar suas parceiras. Por exemplo, companheiros abusivos pode até usar a menstruação da namorada para controlá-la e envergonhá-la.

Menstruação e controle financeiro por companheiros abusivos

O abuso financeiro é uma forma comum de violência doméstica. Um abusador financeiro assumirá o controle dos recursos de sua parceira, controlando exatamente como e quando a família gasta dinheiro.

O abusador financeiro pode insistir que o casal junte suas finanças porque sua companheira não é experiente o suficiente para lidar com elas ou seria mais simples compartilhar uma conta bancária.

No entanto, esse abusador pode em breve se recusar a dar acesso ao dinheiro à parceira; eles podem exigir ver os recibos de todas as compras ou podem privar a companheira da oportunidade de conseguir um emprego e ganhar seu próprio dinheiro.

O abuso financeiro com ciclos menstruais é uma mistura perigosa. Itens de higiene menstrual podem ser caros. Muitas mulheres gastam entre R$ 120,00 e R$ 150,00 anualmente em absorventes.

As mulheres com endometriose podem gastar significativamente mais porque podem sangrar através de seus absorventes mais rapidamente do que aquelas com fluxo mais leve. Os absorventes são, portanto, investimentos essenciais na liberdade de uma mulher. Se uma mulher não pode comprar produtos de higiene menstrual, ela não pode sair facilmente de casa e sair em público durante o período sem manchar suas roupas.

Infelizmente, muitas mulheres não podem comprar os produtos de higiene de que precisam todos os meses, o que torna a situação ainda mais complicada.

Essa disparidade econômica é chamada de pobreza menstrual e impacta milhões de pessoas diariamente.

O abuso financeiro pode perpetuar a pobreza menstrual. Mesmo que um casal tenha dinheiro suficiente para comprar produtos menstruais, um agressor pode não permitir que sua parceira compre os produtos de que precisa. O agressor pode insistir que sua companheira economize dinheiro racionando quantos absorventes ela usa. Alternativamente, eles podem exigir que a parceira opte por opções mais baratas.

Se essa mulher tiver um surto de endometriose, seu parceiro pode culpá-la por “desperdiçar” dinheiro quando ela tenta comprar absorventes de maior qualidade quando ela tem que usá-los em maior quantidade que o habitual.

As contas médicas da endometriose também podem ser caras, especialmente porque as pacientes geralmente passam por anos de exames e consultas médicas antes mesmo de serem diagnosticadas. Uma pessoa controladora pode impedir sua companheira de contratar um plano de saúde ou ir ao ginecologista.

Um artigo no Journal of Internal Medicine explica que cerca de 5% das mulheres sentem que seu parceiro interfere em seu tratamento médico. Pessoas abusivas podem hesitar em deixar suas parceiras irem ao médico porque muitos profissionais da saúde são treinados para reconhecer hematomas e outros indicadores potenciais de violência doméstica.

Vergonha e estigma menstrual

Outra técnica na caixa de ferramentas dos companheiros abusivos é a vergonha. Muitas mulheres podem lutar com o estigma menstrual.

Esses estigmas podem nos lembrar que somos fracas se nos queixarmos de nossas cólicas, que nosso sangue é nojento e que devemos tentar sorrir através da dor e esconder o fato de estarmos menstruadas. Um companheiros abusivos podem impor ideias semelhantes a suas parceiras.

Como procurar ajuda

Estar em um relacionamento abusivo pode parecer assustador, mas saiba que você não está sozinha. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 pode ajudá-la a se manter segura. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher. O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.